Política não é feita para laranjas, rebatem comunistas

Brasília, segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019 - 13:32      |      Atualizado em: 15 de fevereiro de 2019 - 13:2

POLÍTICA

Política não é feita para laranjas, rebatem comunistas


Por: Da Redação

As deputadas Alice Portugal (BA) e Jandira Feghali (RJ) criticaram a fala do presidente nacional do PSL, Luciano Bivar, de que mulher não tem vocação para a política e condenaram a candidatura-laranja de Maria de Lurdes Paixão utilizada pelo partido de Bivar nas eleições de 2018 para beneficiar a legenda.

Reprodução da Internet

As declarações de Luciano Bivar (PSL-PE), presidente nacional do partido de Bolsonaro e recém-eleito 2º vice-presidente da Câmara, em entrevista à Folha de S.Paulo têm repercutido entre deputadas. Em uma entrevista que deveria tratar do suspeito repasse de R$ 400 mil a uma candidata do seu partido que obteve apenas 274 votos, Bivar criticou as cotas para as mulheres e afirmou ainda que “política não é muito da mulher, falta vocação”.

O valor da verba recebida por Maria de Lourdes Paixão (PSL-PE) ligada à sua inexpressiva votação indicam uma candidatura de fachada, onde há simulação, mas não um empenho efetivo na campanha.

Em suas redes sociais, a deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) criticou Bivar e rebateu o parlamentar ao lembrar que “política não é feita para laranjas”.

“Assim pensavam os opositores do direito ao voto da mulher. A política não é feita para laranjas, nem para usurpadores da verdade, que usam fake news e compram dados para fraudar eleições”, rebateu a parlamentar, em referência à candidatura de Maria de Lourdes. 

Segundo a reportagem da Folha, ela foi a terceira maior beneficiada com verba do PSL em todo o país, mais do que o próprio presidente Jair Bolsonaro e a deputada Joice Hasselmann (SP), que teve mais de um milhão de votos. O dinheiro do fundo partidário do PSL foi enviado pela direção nacional da sigla para a conta da candidata em 3 de outubro, quatro dias antes da eleição. Na época, o hoje ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, era presidente interino da legenda e coordenador da campanha de Bolsonaro, com foco em discurso de ética e combate à corrupção.

Outro fator que leva a crer que a candidatura de Maria de Lourdes Paixão era de fachada está em sua prestação de contas. De acordo com o relato da reportagem, a “candidata” informou que gastou 95% desses R$ 400 mil em uma gráfica para a impressão de nove milhões de santinhos e 1,7 milhão de adesivos, tudo às vésperas das eleições. A reportagem ainda informa que cada um dos quatro panfleteiros que ela diz ter contratado teria, em tese, a missão de distribuir, só de santinhos, 750 mil unidades por dia – mais especificamente, sete panfletos por segundo, no caso de trabalharem 24 horas ininterruptas. A Folha visitou os endereços informados pela gráfica na nota fiscal e na Receita Federal e não encontrou sinais de que ela tenha funcionado nesses locais durante a eleição. Bivar, no entanto, tentou desconversar o caso e focou a entrevistas em declarações machistas e ataques à legislação.

Lugar de mulher é onde ela quiser

Além da possível fraude eleitoral, as comunistas criticaram o teor machista das falas de Bivar. Para ele, além da “falta de vocação”, a legislação em vigor, que determina que 30% dos candidatos sejam do sexo feminino, precisa ser revista.

“Eu considero a regra errada. É isso que eu estou dizendo que vocês têm que bater. Você tem que ir pela vocação, tá certo? Tem que ir pela vocação. Se os homens preferem mais política do que a mulher, tá certo, paciência, é a vocação. Se você fizer uma eleição para bailarinos e colocar uma cota de 50% para homens, você ia perder belíssimas bailarinas, porque a vocação da mulher para bailarina é muito maior do que a de homem. Tem que ser aberto. (...) Você não pode fazer uma lei que submete o homem... Você não pode violentar o homem”, disse Bivar em duas de suas respostas à reportagem da Folha.

Para a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), as declarações são “grosseiras, atrasadas, cheirando a mofo dos porões do machismo institucional que ainda empesteia a política”. Segundo ela, “vai ter mulher presidenta, deputada e em qualquer cargo que os milhões delas almejarem”.









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